Reflexões Pós Rio +20: Ainda resta esperança , mas perdemos a oportunidade de liderar.

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Por Leonardo Gontijo Vieira Gomes *

A Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável terminou na última sexta a meu ver sem surpresas. A Rio+20 ficará marcada pela distância entre a expectativa da sociedade civil e o que os governos e diplomatas foram capazes de produzir em 12 dias de diálogos.
A metáfora do copo meio cheio ou meio vazio é válida para avaliar o sucesso ou o fracasso da Rio+20 . O copo meio vazio é a falta de compromissos com metas e prazos na conversão para uma economia verde. O copo meio cheio é o fato de um documento final ter sido aprovado, com compromissos, ainda que vagos, com o desenvolvimento sustentável, dentre 193 países com posições inconciliáveis, numa organização em que se decide por consenso.

O texto final da conferência fixa o ano de 2015 como sendo a nova data da sustentabilidade global. É quando deverão entrar em vigor os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ideia lançada no Rio e que deverá ganhar definições de temas e metas a partir de 2013. Os objetivos são o principal processo internacional lançado pela Rio+20, que também prometeu adotar um programa de dez anos para rever os padrões de produção e consumo da humanidade. Outras decisões esperadas, como um mecanismo de financiamento ao desenvolvimento sustentável e um acordo sobre a proteção do alto-mar, ficaram para depois.

Ao Brasil faltou ousadia, uma vez que, ocupamos o primeiro lugar entre os países megadiversos – grupo que reúne 17 países que respondem por 70% da diversidade de espécies do planeta -, abrigamos 12% da água doce do mundo, produzimos mais alimentos do que consumimos, e possuímos matriz energética renovável. Somos a sexta maior economia do mundo em  contraposição, ocupamos a 84ª posição no índice de desenvolvimento humano (IDH), devido a problemas como desigualdade social e pobreza. A meu ver perdemos a oportunidade de ousar e nortear o mundo para uma concreta busca da economia verde. O grande tema da Rio + 20 era “Que futuro queremos” , mas o documento final não nos fornece a rota nem os meios de percorrê-la.Como País anfitrião deixamos  a desejar na condução do processo, apesar das dificuldades oriundas da crise europeia.

De toda forma, a visão do copo cheio ficou por conta dos eventos paralelos, da sociedade civil organizada e do movimento nas redes sociais que como destacou a ex Ministra Marina Silva pode ser a esperança de um novo mundo. “Está surgindo um novo tipo de ativismo: o ativismo autoral. Nós, os mais velhos, somos da época do ativismo dirigido. Precisávamos de partidos e organizações para atuarmos. Hoje, as tecnologias da informação permitem que cada pessoa seja autora de sua militância. Hoje somos todos protagonistas. Mas temos que ter o cuidado de não cair no individualismo. O interesse coletivo tem que ser autoral”.

Sou daqueles que fica com o copo meio cheio, uma vez que, se a Rio 92 foi um grande encontro para conscientização e alerta, a Rio+20 foi uma convenção para combinar os caminhos a seguir. Que a conferência seja apenas o início de um amplo debate e com ações para construção do mundo que queremos.

Segue abaixo um excelente quadro resumo elaborado pelo Jornal Folha de São Paulo sobre a conferência.

Imagem: Folha de São Paulo

FONTE: Verde Ghaia, por Leonardo Gontijo – Diretor do Departamento Jurídico da Verde Ghaia, consultor ambiental e professor universitário

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