A falta de informação sobre a Rio +20
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A falta de informação sobre a Rio +20


 

Quais são os problemas ambientais ao seu redor? Você tem feito o uso consciente dos recursos naturais? Como diminuir a emissão de gases na atmosfera, os desastres ambientais, a pobreza, e a fome?

Segundo o relatório Living Planet, as condições do planeta pioraram apesar dos esforços da Rio 92. O mundo hoje emite 40% mais gases poluentes, teve uma perda de biodiversidade de 12%, as florestas diminuíram 3 milhões de metros quadrados, o número de pessoas vivendo em cidades, que consomem 75% da energia do planeta, aumentou 45% e a produção de comida, que consome a maior parte da água doce do planeta, também aumentou 45%.

Temas como estes citados acima, serão discutidos na conferência e podem mudar o rumo do planeta de forma muito significativa. Uma conferência de grande importância, porém desconhecida pela grande maioria da população brasileira.

Pesquisa realizada pela associação internacional União BioComércio Ético (UEBT, na sigla em inglês), que ouviu mil brasileiros entre fevereiro e março, diz que menos de um quarto dos entrevistados (24%) sabe o que é a Rio+20 e que 60% já escutou algo a respeito. Estudo feito em oito países entrevistou 8 mil pessoas sobre sustentabilidade. O interesse sobre a conferência da ONU é ainda mais baixo em outras nações.
Além do Brasil, o levantamento foi feito ainda na França, Alemanha, Reino Unido, Suíça, Estados Unidos, Peru e Índia, e mostra que para a maioria dos entrevistados a Cúpula da ONU deve passar despercebida.

Nos EUA, por exemplo, apenas 11% dos entrevistados ouviram falar do encontro do Rio de Janeiro, mas somente 2% souberam explicar seu motivo. Na Alemanha, França, Peru, Índia, Suíça e Reino Unido, entre 1% e 6% souberam definir o objetivo da conferência sobre desenvolvimento sustentável.

Diante disso abaixo algumas informações pertinentes:

Rio 92 – Eco 92

A II Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Humano, realizada em 1992 no Rio de Janeiro, teve como principal tema a discussão sobre o desenvolvimento sustentável e sobre como de reverter o atual processo de degradação ambiental. Conhecida mundialmente como Rio 92, a conferência foi a maior reunião de chefes de Estado da história da humanidade com a presença de cerca de 117 governantes de países tentando buscar soluções para o desenvolvimento sustentável das populações mais carentes do planeta.

O evento foi acompanhado por todo o mundo e contou com a participação da sociedade civil organizada. Cerca de 22 mil pessoas, pertencentes a mais de 9 mil organizações não-governamentais, estiveram presentes nos dois principais eventos da Conferência: a reunião de chefes de Estado, Cúpula da Terra, e o Fórum Global, promovido pelas ONGs.

Uma série de convenções, acordos e protocolos foram firmados durante a conferência. O mais importante deles, a chamada Agenda 21, comprometia as nações signatárias a adotar métodos de proteção ambiental, justiça social e eficiência econômica, criando um Fundo para o Meio Ambiente, para ser o suporte financeiro das metas fixadas.

O Que é a Rio +20?

A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, recebe este nome por ocorrer vinte anos depois da Rio 92 (também conhecida como Eco 92), considerada a maior conferência sobre meio ambiente já realizada, que popularizou o conceito de “desenvolvimento sustentável”. O evento ocorrerá entre os das 20 e 22 de junho na cidade do Rio de janeiro.

Objetivos da Rio +20

O objetivo da Conferência é assegurar um comprometimento político renovado com o desenvolvimento sustentável, avaliar o progresso feito até o momento e as lacunas que ainda existem na implementação dos resultados dos principais encontros sobre desenvolvimento sustentável, além de abordar os novos desafios emergentes.

Os Temas Abordados: A Economia Verde no Contexto do Desenvolvimento Sustentável e a Erradicação da Pobreza

O desenvolvimento sustentável enfatiza uma abordagem holística, equitativa e clarividente à tomada de decisões em todos os níveis. Ele destaca não apenas o forte desempenho econômico, mas a equidade intrageracional e intergeracional. O desenvolvimento sustentável compete à integração e uma análise equilibrada dos objetivos sociais, econômicos e ambientais e os objetivos na tomada de decisão tanto pública quanto privada.

O conceito de economia verde concentra-se principalmente na intersecção entre o ambiente e a economia. Isto relembra a Conferência Rio 1992: a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento.

O Quadro Institucional Para o Desenvolvimento Sustentável
A Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (UNCED), comumente referido como a Conferência do Rio ou Cimeira da Terra, foi um grande sucesso na sensibilização do público sobre a necessidade de integrar meio ambiente e desenvolvimento.

No processo preparatório para a Cimeira do Rio em 1992, houve uma série de propostas para a reforma institucional para enfrentar os desafios do desenvolvimento sustentável. UNCED viu a adoção de uma série de acordos cruciais, incluindo a Declaração do Rio, a Agenda 21, e as marcantes “convenções do Rio” (CBD, UNCCD, UNFCCC).

Também criou novas instituições internacionais, entre elas a Comissão de Desenvolvimento Sustentável, encarregado do acompanhamento para a Conferência do Rio, e levou à reforma do Global Environment Facility.

Dez anos depois, o conceito de três pilares que se reforçam mutuamente de desenvolvimento sustentável foi incorporado ao Plano de Joanesburgo de 2002, de execução (JPOI). A necessidade de reforçar o quadro institucional para o Desenvolvimento Sustentável (IFSD) é abordada no capítulo XI. O desenvolvimento sustentável foi reconhecido como um objetivo global para as instituições nos níveis nacional, regional e internacional.

O JPOI destacou a necessidade de reforçar a integração do desenvolvimento sustentável nas atividades de todas as relevantes agências das Nações Unidas, programas e fundos, e as instituições financeiras internacionais, dentro de seus mandatos. A discussão IFSD assim também abrange o papel das instituições compreendendo os pilares econômico e social, por exemplo, considerando a forma de intensificar os esforços para colmatar o fosso entre as instituições financeiras internacionais (IFIs) e dos bancos multilaterais de desenvolvimento (MDBs), eo resto do sistema da ONU
7 Questões Críticas da Rio +20

EMPREGO

A recessão econômica afetou a quantidade e a qualidade dos empregos. Para os 190 milhões de desempregados e para mais de 500 milhões que estão à procura de emprego nos próximos 10 anos, os mercados de trabalho são vitais não só para a produção e geração de riqueza, mas também para a sua distribuição. Ação econômica e políticas sociais para criar trabalho remunerado são fundamentais para a coesão e estabilidade sociais. É também crucial que o trabalho seja orientado para as necessidades do ambiente natural. “Empregos verdes” são vagas na agricultura, indústria, serviços e administração que contribuem para a preservação ou restauração da qualidade do meio ambiente.

ENERGIA

A energia é um ponto central para quase todos os grandes desafios e oportunidades que o mundo enfrenta hoje. Seja para trabalho, segurança, mudança climática, produção alimentar ou aumento da renda, o acesso à energia é essencial a todos. Energia sustentável é necessária para fortalecer economias, proteger ecossistemas e alcançar a equidade. O Secretário-Geral das Nações Unidas Ban Ki-moon está liderando a iniciativa Energia Sustentável para Todos para garantir o acesso universal a serviços energéticos modernos, melhorar a eficiência e aumentar o uso de fontes renováveis.

CIDADES

As cidades são centros para idéias, comércio, cultura, ciência, produtividade, desenvolvimento social e muito mais. Permitir que as pessoas avancem social e economicamente está entre as melhores coisas nas cidades. No entanto, muitos desafios existem para manter as cidades de uma forma que continuem a criar empregos e prosperidade, sem exaurir terras e recursos.

Desafios comuns das cidades incluem congestionamentos, falta de recursos para fornecer serviços básicos, a falta de moradia adequada e infra-estrutura em declínio. Os desafios enfrentados pelas cidades podem ser superados de uma forma que lhes permitam continuar a prosperar e crescer, melhorando a utilização dos recursos e reduzindo a poluição e pobreza.

ALIMENTAÇÃO

É hora de repensar a forma como nós cultivamos, compartilhamos e consumimos os nossos alimentos. Caso feitos corretamente, a agricultura, silvicultura e pesca podem proporcionar alimentos nutritivos para todos e gerar rendas decentes, apoiando, ao mesmo tempo, o desenvolvimento rural centrado nas pessoas e a proteção ao meio ambiente. Mas agora, nossos solos, água doce, oceanos, florestas e biodiversidade estão sendo rapidamente degradados.

A mudança climática está colocando ainda mais pressão sobre os recursos nos quais dependemos. Uma mudança profunda no sistema alimentar e na agricultura mundial é necessária se quisermos alimentar os atuais 925 milhões de famintos e os 2 bilhões de pessoas esperadas até 2050. O setor de alimentos e agricultura oferece soluções chave para o desenvolvimento, e é central para erradicação da fome e da pobreza.

ÁGUA

Água limpa e acessível a todos é uma parte essencial do mundo em que queremos viver. Há água doce suficiente no planeta para realizar este sonho. Mas, devido à crise econômica ou infra-estrutura deficiente, todos os anos milhões de pessoas, a maioria delas crianças, morrem de doenças associadas à falta água, esgotamento sanitário e de higiene.

Escassez de água, má qualidade da água e saneamento inadequado impactam negativamente a segurança alimentar, as escolhas de subsistência e as oportunidades educacionais para as famílias pobres em todo o mundo. A seca atinge alguns dos países mais pobres do mundo, agravando a fome e a desnutrição. Até 2050 pelo menos uma em cada quatro pessoas provavelmente viverá em um país afetado por escassez crônica ou recorrente de água potável.

OCEANOS

Os oceanos do mundo – sua temperatura, química, correntes e vida – impulsionam sistemas globais que tornam a Terra habitável para a humanidade. Nossa água da chuva, água potável, tempo, clima, litorais, grande parte da nossa alimentação, e até mesmo o oxigênio do ar que respiramos são, em última análise, todos fornecidos e regulados pelo mar.     Ao longo da história, oceanos e mares têm sido canais vitais para o comércio e transporte. A gestão cuidadosa deste recurso global essencial é uma característica chave de um futuro sustentável.

DESASTRES

Catástrofes causadas por terremotos, inundações, secas, furacões, tsunamis e outros, podem ter impactos devastadores sobre as pessoas, ambientes e economias. Mas a resiliência – a capacidade de pessoas e lugares para resistir a estes impactos e se recuperar rapidamente – continua a ser possível.

Escolhas inteligentes ajudam-nos a recuperarmos de desastres, enquanto más escolhas nos tornam mais vulneráveis. Estas escolhas estão relacionadas a como nós cultivamos a nossa comida, onde e como construímos nossas casas, como funciona o nosso sistema financeiro, o que ensinamos nas escolas e muito mais. Com um ritmo acelerado de desastres naturais, acarretando uma perda maior de vidas e propriedades, e um maior grau de concentração de assentamentos humanos, um futuro inteligente significa planejar com antecedência e ficar alerta.


FONTE: Verde Ghaia, por Fernando Valério – Consultor de Sustentabilidade
www.globo.com/natureza
www.rio20.info/2012/


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