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O Brasil nunca teve a cultura da carne certificada


 
O Brasil nunca teve a cultura da carne certificada
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Em março de 2005 na cidade de Araguaína, no norte de Tocantins, produtores de gado e empresários discutiam como buscar padrões de produtividade e competitividade exigidos pelo mercado internacional (carne certificada).

Estamos falando de 10 anos atrás, quando se propôs a criação do grupo Empresarial para a Pecuária Competitiva – GEPEC, que tinha como objetivo garantir ao consumidor um produto seguro, saudável, por meio do controle de todas as fases da produção, do controle das raças utilizadas, das análises laboratoriais, da industrialização, do transporte, da distribuição e da comercialização, com uma perfeita correlação entre o produto final e a matéria prima que lhe deu origem.

Este grupo sabia das carências do mercado da carne e queria fazer com que produtores e empresários tivessem conhecimentos plenos da Gestão Empresarial para a qualidade, a segurança, a saúde ocupacional, o meio ambiente, a responsabilidade social e para as boas práticas de fabricação de alimentos, principalmente relacionados a produção de carne.

Se naquela época, as normas aplicáveis à pecuária de corte no país e no mundo, tais como , ISO 9001, OHSAS 18001, ISO 22001, SA 8000, EUREPGAP, APPCC, BPF e BPA tivessem sido implantadas no Brasil, estaríamos em um outro patamar mundial, sem esta crise anunciada.

O Brasil pode se transformar em referência da qualidade da carne no cenário mundial. As gestões empresariais na pecuária, no que tange às questões comerciais e de qualidade no mercado da carne, deixaram de ser pensadas como algo periférico para se tornarem algo estratégico, pois os produtores necessitam de um diferencial competitivo.

Com a certificação, todo mundo ganha, ganha o consumidor, com produtos de mais qualidade e ganha a empresa que passa a explorar os benefícios resultantes da implantação de processos, tais como, a racionalização de tempo gasto nas atividades; a redução do consumo e do desperdício de recursos; a melhoria da qualidade do produto; a diminuição de entraves associados a barreiras comerciais; a proteção à saúde do consumidor e ao ambiente; a segurança e a confiabilidade no produto.

A certificação de produtos cárneos, sendo realizada por uma entidade isenta, traz ao consumidor a possibilidade de dispor de informações confiáveis a respeito do produto adquirido.

O produtor, por sua vez, pode se utilizar da certificação para levar ao mercado o seu diferencial em relação aos concorrentes, mantendo sua competitividade e assegurando sua manutenção na disputa pela escolha do consumidor que preza por carne de verdade e não por papel.

É tempo de agir, aprender com os erros, se libertar das rotinas que nos levaram ao atraso, fazer boas escolhas, ajustar os objetivos e resgatar o grupo Empresarial para a Pecuária Competitiva – GEPEC.

Deivison Pedroza
Advogado e presidente do Grupo Verde Ghaia
Artigo publicado no Jornal da Cidade


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