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Fontes alternativas e renováveis de energia em tempo de crise


 
Fontes alternativas e renováveis de energia em tempo de crise
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Em 1972, quando explodiu a crise do Petróleo, todo o mundo pensou que esse acontecimento serviria de alerta. Dizia-se que o petróleo estava com os seus dias contados e em pouco tempo as reservas desse produto em todo o mundo não aguentaria mais a demanda.

O certo é que, 40 anos após a crise, o esgotamento de todas as reservas mundiais de petróleo parece estar bem distante da realidade. Os mais pessimistas indicam que as reservas do produto estão garantidas para mais de 4 décadas, caso a demanda projetada aumente 1,7% ao ano até 2030. Mesmo assim, devemos considerar a energia gerada através do petróleo como finita, não renovável.

Faz-se necessário considerar outras formas de energia em substituição do petróleo. Nesses tempos de dificuldade econômica e pressões da sociedade por uma vida mais saudável, com o mundo cada vez mais preocupado com as consequências dos combustíveis fósseis sobre o clima, mais do que nunca é necessário adotar fontes de energia renováveis, alternativas e com baixo custo.

É importante destacar que foi após a primeira crise do petróleo, que triplicou o preço do produto em poucos dias, que incentivou o investimento do Brasil nas pesquisas que resultaram no álcool combustível, atualmente denominado etanol, oriundo da cana-de-açúcar. Uma fonte de energia renovável muito eficiente para os veículos automotores.

No Brasil, provém das usinas hidrelétricas a maior parte da energia elétrica produzida. Isso ocorre por causa da existência de grandes mananciais de água, gerando uma energia limpa e renovável. É o único país do mundo onde a energia hidráulica é utilizada de forma rotineira.

A agroenergia, outro tipo de energia renovável que tem sido adotada por diversos países, inclusive Brasil, utiliza a biomassa florestal, combustão de lenha e carvão vegetal, principalmente consumido pelas siderúrgicas. Outras vantagens do consumo desse tipo de energia são o baixo impacto ao meio ambiente e a não alteração do efeito estufa, atualmente uma das maiores preocupações dos ambientalistas.

A utilização da cana-de-açúcar como fonte de energia vai além do etanol. A palha da planta e o bagaço representam uma fonte de energia respeitável e em expansão. Segundo dados da Associação Paulista de Cogeração de Energia (Cogen), cada tonelada de cana-de-açúcar produz 250 quilos de bagaço e 204 quilos de palha, capazes de gerar 199,9 quilowatts/hora. Estudos apontam que a geração de energia por usineiros, somada, já é equivalente a 7ª hidrelétrica do país.

Já a energia térmica, representa no Brasil, o segundo tipo de fonte de energia elétrica, e tudo indica que cresça ainda mais nos próximos anos. Nessas usinas, a queima de combustíveis, como derivados de petróleo, carvão, óleo, e também a cana-de-açúcar, gera a eletricidade. Nesse processo vários cuidados devem ser adotados, como por exemplo, filtragem dos gases oriundos da queima dos combustíveis, evitando a poluição atmosférica, e resfriamento da aquecida durante o processo antes de ser lançada no corpo hídrico.

A energia nuclear, ou energia atômica, é obtida através da fissão do núcleo do átomo do urânio enriquecido, gerando uma grande quantidade de energia. Esse tipo de energia é desaprovada pela sociedade, gera  um grande receio de ocorrência de  acidentes de maiores proporções, além de gerar resíduos radioativos e lixo atômico. Os Estados Unidos são os maiores produtores de energia nuclear.

Uma das formas mais antigas de captação de energia são os moinhos de ventos. Eles utilizam a energia dos ventos, ou seja, a energia eólica, para movimentar e executar alguns trabalhos. A energia eólica atual consiste na transformação de energia cinética dos ventos em energia elétrica. A instalação dessas usinas é viável em locais com velocidade média anual dos ventos superior a 3,6 m/s. É um tipo de energia barata e limpa.

A energia fotovoltaica, ou energia solar, é a mais limpa, ecológica, renovável, abundante. Porém é uma energia considerada cara por causa dos equipamentos necessários para sua captação. Seu uso é viável para pequenas instalações, em áreas de difícil acesso ou remotas. No Brasil, é feito um uso significativo do coletor solar que capta a energia solar e a utiliza para aquecer água, mas não gera energia elétrica.

Uma alternativa ao óleo diesel comum, derivado do petróleo, é o biodiesel, biocombustível fabricado de fontes renováveis vegetais. Pode ser utilizado puro ou misturado com óleo diesel comum em qualquer motor a diesel. Além de renovável, é pouco poluente.

Outros tipos de energia já são conhecidos e utilizados no mundo, por exemplo, o hidrogênio como combustível veicular, energia das marés e energia geotérmica, porém alguns fatores inviabilizam a adoção desses métodos no Brasil. Apesar de termos grande amplitude de marés, a topografia do nosso litoral não possibilita a construção de reservatórios que transformam a energia das marés em energia elétrica.

A Comissão Interministerial de Mudanças Global do Clima já aprovou mais de 200 projetos mecanismos de desenvolvimento limpo (MDL), que estão em conformidade com as exigências do Protocolo de Kyoto, acordo mundial para evitar ou reduzir as emissões de gases que causam o aquecimento global. Desses projetos, a energia a partir da biomassa se destaca com quase metade dos projetos limpos, seguida da hidrelétrica, pequenas centrais, eólica e biogás de aterros sanitários.

Por fim, cabe a nós desenvolvermos tecnologias mais eficazes na captação e utilização de energias alternativas e renováveis, de maneira que estas causem um baixo impacto ambiental.

“A resposta está em terminar com a nossa dependência nos combustíveis fósseis. Se tivermos sucesso, poderemos criar novas industrias, riqueza, novas fontes de energia segura e poderemos até impedir o maior desastre natural da História da Humanidade e salvar milhões de vidas. Se falharmos… basicamente será a força do dinheiro a moldar um futuro negro”, Al Gore

Marco Túlio Furlan
Consultor Jurídico Verde Ghaia


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