ISO 20400: conheça a Norma sobre compras sustentáveis
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A Era das certificações ISO

 

Atualmente é muito comum se ouvir as expressões: Empresa Certificada ISO 9000, ISO 14000; Produto Certificado; Processo Certificado. Mas o que é uma Certificação? Existem vantagens em obter Certificações? Quais são as vantagens?

O que são certificados?

Certificados são documentos, emitidos por entidades específicas, preferencialmente as publicamente reconhecidas, que atestam determinado produto, serviço, atividade ou sistema que está sendo produzido, fornecido, implantado ou mantido de acordo com os requisitos de um padrão específico.

Esse padrão pode ser setorial, nacional, regional ou internacional. Por exemplo, uma determinada empresa receberá do organismo avaliador o certificado ISO 9001 apenas se, após o processo de verificação, o organismo apresentar evidências objetivas de que o Sistema de Gestão da Qualidade implementado pela empresa está em conformidade com todos os requisitos da norma NBR ISO 9001.

Da mesma forma, um fabricante de automóveis concederá um certificado de conformidade a um processo produtivo de um fornecedor de autopeças se observar, através de evidências objetivas, que tal processo está sendo operado de acordo com os requisitos especificados por uma norma de sua escolha.

Todo certificado de conformidade tem prazo de validade definido e a sua manutenção depende da manutenção do nível de desempenho do produto, atividade, serviço ou sistema ao longo do tempo. Portanto, há necessidade que se façam avaliações periódicas para que seja verificado se o objeto da certificação continua atendendo os requisitos especificados pelo referencial normativo usado.

Uma organização pode atestar conformidade de um sistema de gestão, por exemplo, através de três tipos de auditorias

Pelo Cliente – Auditoria de Segunda Parte: por exemplo, uma montadora de automóveis atesta que o processo produtivo de um fornecedor de autopeças está de acordo com os requisitos de um padrão específico.

Por Entidade Autônoma e independente em relação ao cliente e ao fornecedor de um produto ou serviço – Auditoria de Terceira Parte: por exemplo, o certificado de conformidade conferido por uma Instituição Avaliadora ao sistema de gestão da segurança e saúde ocupacional de uma empresa baseado na norma ISO 45001.

Há também a possibilidade da autodeclaração de conformidade –  Auditoria Primeira Parte: a própria organização garante que determinado produto, atividade, serviço ou sistema está de  acordo com os requisitos de um referencial normativo específico.

Obtenção de um Certificado

A obtenção de um certificado por uma organização específica pode ser:

* Facultativa: caso a organização decida espontaneamente demonstrar que segue as diretrizes definidas por uma norma específica. Por exemplo, a implementação e manutenção de um sistema de gestão ambiental de acordo com os requisitos da norma ISO 14001 é uma decisão exclusiva da administração de uma empresa, não sendo ela obrigada por agentes externos a tomar tal decisão.

* Compulsória: caso a organização para produzir, comercializar ou desenvolver uma atividade específica seja obrigada a demonstrar que segue os requisitos de uma norma. Por exemplo, só podem ser comercializados no Brasil brinquedos cujas características estejam em conformidade com a norma Segurança do Brinquedo ABNT NBR NM 300-5:2004.

Motivos para certificação de produtos, atividades, serviços e sistemas

Além da certificação compulsória, determinada por órgão competente, as empresas podem buscar a certificação de produtos, atividades, serviços e sistemas por motivos diversos. Porém, é importante que as empresas vejam a certificação como algo que contribuirá efetivamente para a melhoria de sua gestão; do nível de qualidade de desempenho de seus produtos, atividades e serviços e da sua lucratividade.

A certificação deve ser algo que agregue valor à organização. Os motivos podem ser os seguintes:

* Demonstrar a clientes, mercado e sociedade em geral que a organização produz e fornece produtos ou serviços com alto nível de qualidade, através de melhores práticas ambientais ou de segurança ocupacional.

* Demonstrar que a organização é gerida de forma eficaz, através de um sistema em conformidade com um referencial normativo reconhecido.

* Manter elevado nível de qualidade de produtos, serviços e gerenciamento através da manutenção do certificado.

* Obter vantagem competitiva com relação aos concorrentes pelos motivos expostos acima.

Receber pressão de clientes ou do mercado – a certificação neste caso pode até ser favorável à organização, mas se a mesma não for efetivamente utilizada como um instrumento para a gestão e o sistema tiver sido implantado apenas para se estabelecer laços comerciais, ele não proporcionará o desempenho pretendido. Assim, ao invés de estar agregando valor à organização ela passa a gerar apenas custos.

Organismos certificadores

Para obter uma Certificação de Terceira Parte, a organização interessada deve contratar uma Empresa Especializada para efetuar a avaliação do produto, serviço, atividade ou sistema, que se deseja certificar. Esta empresa, especializada em efetuar avaliações e independente em relação à empresa contratante e aos clientes desta, é o chamado Organismo Certificador.

Existem inúmeros organismos certificadores no mundo, sendo que na sua grande maioria, possuem ação global, emitindo certificados de conformidade para organizações de inúmeros países do mundo.

Organismos credenciadores

Como já foi dito, existem inúmeras empresas certificadoras no mundo e o certificado emitido por elas, para ser devidamente aceito pelo mercado, precisa ser formalmente reconhecido. Estas empresas para operarem, com a confiabilidade que o mercado exige, precisam estar credenciadas por Entidades que disciplinem suas atividades.

Estas Entidades são os Organismos Credenciadores – algumas organizações certificadoras também os chamam de Organismos Acreditadores.

Estes organismos têm os seguintes objetivos:

  • Supervisionar a atuação dos organismos certificadores.
  • Assegurar a imparcialidade dos avaliadores.
  • Avaliar a competência técnica para o desenvolvimento do trabalho em questão.
  • Assegurar que os recursos e instalações sejam apropriados e suficientes para o trabalho.
  • Assegurar que o desempenho do avaliador seja na verdade o requerido pelo referencial normativo.
  • Garantir que o avaliador seja capaz de sustentar o nível de desempenho requerido.

Certificação de Terceira Parte

Pode-se ver que o processo de Certificação de Terceira Parte envolve três agentes distintos:

1. O cliente que busca a certificação;

2. A instituição avaliadora que emitirá o certificado em caso de  conformidade; o organismo acreditador que avaliará e declarará a competência das instituições avaliadoras.

3. É este sistema de “três cabeças” que assegura a credibilidade de tais certificados, que permite que eles sejam um retrato fiel da qualidade fornecida por uma organização às partes interessadas – acionistas, funcionários, clientes e vizinhos – em seus produtos, atividades e serviços.

Por último, é importante ressaltar que a maior parte dos sistemas certificáveis são implementados de acordo com normas publicada pela ISO. Porém não existe Certificado ISO 9000 ou Certificado ISO 14000, por exemplo.

A ISO é uma instituição que apenas cria e divulga padrões aceitos sob consenso internacional, não efetuando qualquer tipo de avaliação – esta cabe aos Organismos Certificadores.

Portanto, a terminologia correta para declarar uma certificação é:

O Organismo Certificador atesta – ou registra, ou certifica, que a Empresa possui um Sistema de Gestão da Qualidade – ou Sistema de Gestão Ambiental, ou outro qualquer, em conformidade com os requisitos da Norma ISO 9001 – ou ISO 9002, ISO 14001 ou outra qualquer.

Deve-se notar que o Certificado de Conformidade não é emitido pela ISO – ele sequer tem o reconhecimento desta instituição. Ele é emitido por um Organismo Certificador credenciando uma Entidade competente para tal.

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O que fazer quando ocorrem falhas na hora de implementar? Parte II

 

É muito frustrante realizar a implantação do Sistema de Gestão, e ele falhar. Investimos não apenas em recursos, como também tempo e equipes.
Selecionamos algumas falhas mais comuns, para realizar uma análise crítica das nossas ações e assim, tomar decisões mais assertivas.

Implantação do Sistema de Gestão - falhas acontecem na hora de implementar? Você sabe como resolver?

Falhas durante a Implantação do Sistema de Gestão

As falhas durante a implementação do Sistema de Gestão pode estar em diversos pontos. Porém, no geral, podemos destacar os seguintes itens abaixo:

Falaremos sobre cada uma delas para você mais abaixo com o intuito de levar você a analisar as falhas.
Ou então, tomar decisões para que nunca aconteça com você.

1. Falha no entendimento do Requisito Normativo

As normas ISO são genéricas. Isto é considerado um ponto positivo, pois faz com que qualquer empresa possa se certificar. Porém, pode ser um ponto falho das empresas. Em outras palavras, por estar muito nas mãos de cada organização, o entendimento dos requisitos e criar a melhor forma de se adequar para atendê-los.
A experiencia em certificações conta muito nesse momento.

2. Atendimento superficial às exigências das normas

As normas foram desenvolvidas de forma a agregar valor à forma de trabalho da organização. Sendo assim, não satisfaz para uma certificação a criação de documentos e práticas que não sejam realmente implantadas e adequadas à realidade da empresa em questão e seu escopo de cerificação.

Implantação do Sistema de Gestão - falhas acontecem na hora de implementar? Você sabe como resolver?

3. Cultura organizacional e Conscientização

Assim como citado no título, um dos grandes desafios na implementação dos sistemas está na mudança dentro da cultura organizacional. Além disso, as normas são muito claras no que diz respeito à conscientização dos colaboradores quanto:

  • À Política do sistema;
  • Aos objetivos, metas e indicadores relacionados;
  • Aos controles operacionais;
  • Aos aspectos ambientais significativos;
  • Aos perigos e riscos à saúde aos quais estão expostos; dentre outros itens.

Sendo assim, faz-se necessário um projeto que envolva mais do que treinamentos. Isto é, que haja preocupação com a conscientização e envolvimento de todos os cargos dentro da organização. Devendo incluir as lideranças, pois eles podem contribuir para o sucesso nas certificações.

Vale lembrar que conscientizar envolve não apenas informar. Mas, transmitir aos envolvidos o porquê de cada item repassado e que esse trabalho é relevante ao ponto de observar desde o planejamento até a estrategia da empresa.

4. Envolvimento de terceiros

Colaboradores e empresas terceiras interferem diretamente no sucesso das atividades da organização. Logo, no momento de implantação dos Sistemas de Gestão esse público não pode ser excluído, seja da exigência de documentações especificas ou na conscientização dos seus colaboradores

5. Tratamento de Não Conformidades

A busca por melhoria continua, exigida pelas normas de sistema de gestão força as organizações a realizarem uma tratativa adequada de suas não conformidades. Ao contrário do que muitos pensam, encontrar não conformidades é algo que agrega, e muito, ao sistema de gestão. Uma vez que mostra a maturidade da empresa em conseguir evidenciar as falhas internas.

O ponto essencial nesse momento é que as tratativas dessas quebras de requisitos devem ser adequadas ao problema evidenciado. Desse modo, portanto, busca-se evitar a sua recorrência. Isso significa que não conformidades devem ser estudadas, por grupos de mais de uma área, na maioria das vezes, de forma a identificar as reais causas de sua ocorrência. E logo em seguida, criar planos de ação adequados a cada situação.

A análise de eficácia das ações em cima de não conformidades irá refletir diretamente a qualidade dessas analises.

6. Deficiência no levantamento e atendimento a requisitos legais

A falta de um suporte jurídico adequado faz com que muitas vezes as empresas pequem na identificação, no diagnóstico, no monitoramento e no atendimento a legislações por falta de conhecimento ou acompanhamento de atualizações. Com isso, percebe-se que as normas exigem a real dedicação dos colaboradores nos diversos níveis hierárquicos que representam, incluindo os trabalhadores de empresas terceiras em muitos casos.

Aliar-se a uma empresa de consultoria que seja responsável, comprometida, com equipe capacitada e conhecimento técnico amplo, auxilia na prevenção dessas falhas . E se, caso ocorram, existe uma detecção e eliminação de forma ágil, contribuindo para o sucesso da implementação.


Leia também:


Fernanda Innecco
Consultora Externa
Engenheira Química Especialista em Segurança do Trabalho

Curiosidade: Como a ISO escolhe o nome de suas normas?

 

Como definir o número de um determinado padrão ISO? Por exemplo, por que o número da série ISO 9000 é responsável pelos padrões de gerenciamento de qualidade? Qual é o critério usado para essa definição numerológica?

A numeração dos padrões ISO não tem significado real, exceto para identificá-los.

Geralmente eles são numerados em uma ordem progressiva, onde os padrões mais novos têm números mais altos.

Às vezes, alguns comitês técnicos (os comitês que desenvolvem os padrões) reservam uma certa faixa de números para seus padrões e é por isso que os padrões relacionados a determinados assuntos (como a Gestão da Qualidade) podem ter números semelhantes, mesmo que sejam liberados em diferentes estágios.

De qualquer forma, não há significado particular no número escolhido para um padrão ISO.


ISO 20400: Norma de Compras Sustentáveis deve ser publicada

 

Até o segundo semestre de 2017 deve ser publicada a versão final da norma ISO 20400, de compras sustentáveis, que vai fornecer orientações para as organizações que desejam integrar a sustentabilidade em seus processos de aquisição. A norma está em desenvolvimento e acaba de chegar na segunda fase de Projeto de Norma Internacional (DIS), em que as partes interessadas podem enviar comentários, antes da publicação.

A norma vem para orientar e padronizar os processos de aquisição de forma sustentável, uma questão que tem se tornado cada vez mais estratégica para as empresas. Afinal, muito mais que uma “bandeira” ou “marketing positivo”, as compras sustentáveis trazem ganhos reais para as organizações, na medida em que proporcionam escolhas mais inteligentes para todas as aquisições, do ponto de vista financeiro e  também dos impactos sociais e ambientais.

A ISO 20400 também irá complementar ISO 26000, Orientação sobre a responsabilidade social, uma vez que a aquisição sustentável é um aspecto fundamental da responsabilidade social. Esta integração vai permitir que as organizações contribuam para os esforços de desenvolvimento sustentável, minimizando o seu impacto sobre o meio ambiente, abordando questões de direitos humanos e contribuindo para a sociedade e a economia.

Por Consultoria Verde Ghaia

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