Compliance na Gestão de Fornecedores: tranparência e ética no negócio
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Caso da Cervejaria: importância do compliance na gestão de fornecedores.

 

O caso da Cervejaria Backer e a importância do compliance na gestão de fornecedores.

Nas últimas semanas nos deparamos com o caso da Cervejaria Backer. Primeiro foi noticiada a existência de uma intoxicação que estava causando sintomas nefro-neurais. Inicialmente os familiares das vítimas e depois os peritos foram buscar entender o que estava causando tantas internações e até óbito e, depois de muitos estudos e pesquisas, foi notada algumas semelhanças entre os casos. Uma delas era de que todos os que haviam sido contaminados tinham bebido um tipo de cerveja da Cervejaria Backer, mais especificamente a Belorizontina.

Gestão de Fornecedores e a Gestão de Riscos

O que causava estes sintomas era uma substância altamente tóxica, chamada de dietilenoglicol, um composto produzido dentro da indústria química como anticongelante. Essa substância não é proibida no Brasil, mas seu uso não é recomendado justamente por ser uma substância tóxica. A Backer afirma não ter utilizado o dietilenoglicol em nenhuma etapa do processo de fabricação da cerveja (ela diz usar apenas o monoetilenoglicol), e que ainda pode ter sido vítima de sabotagem.

As últimas informações mostram que foi feito um recall de 82 lotes de cerveja da fábrica que estão com risco de contaminação da substância. Todos os estabelecimentos comerciais que possuem não só a marca Belorizontina, mas outras também da mesma empresa, terão as cervejas recolhidas, para evitar novas contaminações.

Sugestão de leitura: Segurança Jurídica e o impacto nas relações do negócio

Longe de querer fazer qualquer julgamento sobre quem está certo ou errado, gostaria apenas de falar com vocês minha opinião sobre como evitar casos como esses, principalmente quando você vende algo que dependa de outras pessoas, de outros negócios, de outros produtos. Ou seja, que dependa de fornecedores – e para muitos estabelecimentos, a Backer era uma fornecedora.

Como sempre digo, prevenir é melhor do que remediar – além de ser muito mais barato. Então, como prevenir casos como o da cervejaria Backer, ou como evitar que nosso negócio seja prejudicado por problemas que possam vir a acontecer com nossos fornecedores? Como trabalhar com a gestão de fornecedores?

Compliance é a resposta!

E o que tem a ver compliance com a gestão de fornecedores? Absolutamente tudo!

De acordo com o Artigo 3º do Código de Defesa do Consumidor, fornecedor é “toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividades de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços”.

A compra dos fornecedores pode ser direta, ou seja, de insumos e matérias-primas para produção da atividade principal da empresa; ou indireta, de insumos e matérias-primas de suporte, tais como materiais de escritório, serviços de viagens, computadores, limpeza, comidas, bebidas, entre outros.

Diante disso, a gestão de fornecedores é um processo de análise e de controle de todas as atividades operacionais de uma empresa e de seus fornecedores, incluindo identificação, aquisição e gerenciamento de produtos, suprimentos e/ou recursos necessários para administrar uma empresa como também a seleção e a avaliação dos fornecedores.

Compliance na gestão de fornecedores: transparência nas relações

Por sua vez, o compliance tem a ver com o cumprimento de leis, normas, políticas e diretrizes e regulamentos internos e externos de um negócio. Qualquer organização que seja íntegra, ética, transparente e que deseja crescer de forma sustentável, necessariamente deve estar em compliance. Ele serve para adequar todas as atividades da empresa, a gerar informações seguras e confiáveis sobre ela e principalmente para mantê-la funcionando. Com isso, a organização constrói uma boa imagem tanto para o mercado quanto para seus consumidores.

Pela constante mudanças e atualização de todo o arcabouço legal brasileiro, e pelas diversas responsabilidades que são impostas às organizações e seus gestores, o compliance não se restringe mais ao departamento jurídico de um negócio. Hoje ele demanda a integração de várias áreas da empresa, e deve ter como norte a sustentabilidade, entendida em sua dimensão econômica, social e ambiental, porque somente assim vai proteger o bem maior que existe: as pessoas.

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Como cumprir todos os Requisitos Legais do meu negócio?

Por isso, não adianta eu cumprir todos os requisitos exigidos à minha organização se quem me fornece uma das matérias-primas de meu produto ou até o produto que vendo não cumprem com todas as exigências aplicáveis a ele. Nesse caso, mesmo que eu faça a tarefa de casa dentro do meu negócio, o que vem de fora vai acabar uma hora ou outra me prejudicando.

Para evitar essa situação, todos os processos da empresa fornecedora também devem ser envolvidos e estimulados a estarem em compliance. Se não estiverem, é preciso rever a relação estabelecida e, dependendo do caso, até buscar por novos fornecedores.

Chegar a esse ponto é necessário porque uma pequena falha pode causar para a empresa restrições legais, multas, punições judiciais e perda de reputação, algo extremamente difícil para ser reconquistada novamente.

Veja o caso da Cervejaria Backer, por exemplo. Vários lotes foram recolhidos, ela está sendo obrigada a veicular em todos os meios de comunicação uma nota explicando tudo sobre o ocorrido, e também não pode mais comercializar ou fabricar nada até o fim das investigações. E tudo está sendo noticiado praticamente todos os dias em todas as mídias, incluindo as digitais.

Sinceramente, acredito que ainda não dá para calcular o prejuízo que a Bakcer está tendo com tudo isso. Sem contar o valor inestimável das quatro vidas perdidas até o momento.

Compliance na Gestão de Fornecedores

Para não chegar a este ponto, avalie seus fornecedores de forma contínua para que nada passe despercebido e coloque todo o trabalho em risco. Nesta avaliação, leve em conta alguns fatores como:

  • O atendimento deles em relação à possibilidade de negociação de prazos, produtos, formas de pagamento;
  • Agilidade na entrega;
  • A localização do fornecedor, ou seja, se estão localizados próximo à empresa ou não (isso contribui para a estratégia de logística e de redução de custos);
  • Relação custo-benefício, para analisar se os preços correspondem à média do mercado, se a qualidade do produto justifica o preço cobrado;
  • Experiência no mercado, como por exemplo verificar se há referências positivas dele em seu ramo de atuação;
  • Se existem sigilos de informações em relação aos negócios realizados;
  • Uso de tecnologias adequadas;
  • Disponibilidade de atender a sua empresa, ou seja, ter a certeza de que vai dar conta de entregar tudo o que você precisa da forma que você definiu; e claro
  • Se respeitam as normas de segurança, de saúde e ambientais e as certificações de fornecedores, que são as garantias de produtos ou de prestação de serviços de qualidade. Ou seja, se eles se mantêm em compliance com os próprios regramentos, normas e leis aplicáveis à atividade desempenhada.

Sugestão de Leitura: Por que as empresas devem acompanhar a qualificação de seus fornecedores?

A gestão de fornecedores pode ser o calcanhar de Aquiles de uma organização.

Por isso, todo cuidado é pouco na hora de avaliar quais fornecedores podem gerar maior produtividade, eficiência e a garantia de que sua empresa vai se manter em compliance sustentável, para gerar não apenas lucro, mas também para contribuir com a preservação ambiental e com a vida das pessoas que vão consumir seu produto ou serviço.

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