Reflexões sobre sustentabilidade conforme proposta da Rio +20
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Reflexões sobre sustentabilidade numa visão da Rio +20


 

Ontem, quando estava lendo algumas notícias sobre a Conferência das Nações Unidas, Rio +20, três frases, de duas pessoas que admiro, me chamaram a atenção:

“Empresa que respeita o ambiente costuma ter resultado melhor.” Fábio Barbosa
“Desenvolvimento Sustentável é saber usar os recursos de milhares de anos, não para o lucro de poucos em alguns anos.” Marina Silva
“Nós estamos vivendo uma doença chamada o mal do excesso, o que nos falta é a falta da falta” Marina Silva

Sustentabilidade: Rio+20

Ao refletir sobre o teor das frases destacadas, constatei que a humanidade possui em suas mãos uma oportunidade única em tempos de Rio + 20, a de se reverter um pouco o caminho que se está traçando para os próximos anos.

É sabido que meio ambiente é uma parte da sustentabilidade, que não é só ambiental, tem a questão social, econômica, da garantia da dignidade da pessoa humana, da diversidade, da relação com fornecedores e tudo mais.

A Rio+20 mostra que este tema é crescente e não é um assunto que pode ser resolvido dentro das fronteiras de cada país. Assim, como fluxos financeiros e migratórios não se restringem mais a fronteiras, as questões do meio ambiente também não. Não há possibilidade de um país cuidar disso sem que outros o façam.

Penso que a questão ambiental não deve ser vista como uma restrição ao andamento dos negócios, mas sim como uma inspiração para inovação e desenvolvimento de novos negócios. Há uma série de oportunidades que estão surgindo como resposta a essa demanda da sociedade, desde materiais biodegradáveis a diesel menos poluente ou embalagens retornáveis.

Baseando no que disse Leonardo Boff creio que se impõem três atitudes que precisamos desenvolver em tempos de Rio +20. A primeira é conscientizar os tomadores de decisões e toda a humanidade dos riscos a que estão submetidos o sistema-Terra, o sistema-vida e o sistema-civilização.

Sustentabilidade: atitude que urge

A segunda atitude é que urge deslocar a discussão do tema do desenvolvimento para o tema da sustentabilidade.

A terceira atitude é de trabalho crítico e criativo para proposta de novos rumos. Há muitas iniciativas que podem ser implementadas e que apontam para o novo tais como, Economia Verde, Ecoeficiência, Análise do Ciclo de Vida, Consumo Consciente, Valorização de produtos locais, diminuição de deslocamentos, transparência, relatórios sócio ambientais, relações ganha –ganha, etc.

Como destacado por Fábio Barbosa é fato que as empresas que possuem mais transparência e confiabilidade nos relatórios ambientais e sociais representavam menor risco de acidentes. Que as empresas que cuidam da questão ambiental têm, em geral, uma administração competente também nas demais áreas, como por exemplo, boa performance financeira.

Enfim, seja por convicção, seja por conveniência, acho que todos que valorizam o tema, de alguma maneira contribuem para que caminhemos na direção correta. Aqueles que vêm por convicção e estão fazendo a coisa certa, já deram a sua contribuição para o processo, ganharam muita visibilidade e muita perenidade nos seus negócios. Aqueles que estão vindo por conveniência acabam comprometidos sem que percebam.

Considerações Finais

Deste modo, a sociedade tende a cobrar cada vez mais das empresas, uma vez que a sustentabilidade do negócio deixou de ser como há dez anos, quando era uma curiosidade, talvez um devaneio. Neste esteio, a grande mudança é visão do “novo consumidor”, especialmente os jovens, mais conscientes, que certamente nos próximos anos vão determinar o padrão de produção de muitas empresas.

Mais uma vez, destacamos o disposto por Fábio Barbosa ao contemplar que temos que buscar o mundo do “e” e não o mundo do “ou”. Não podemos ficar no debate simplista de que ou se produz alimentos ou se controla o impacto ambiental. Temos, através da Ciência, de normas claras e de produtividade, buscar o equilíbrio entre estes os dois. A Rio +20 é mais uma oportunidade para todos mostrarem que a compatibilização é possível.

FONTE: Verde Ghaia, por Leonardo Gontijo * Consultor ambiental e professor universitário

Por Leonardo Gontijo Vieira Gomes *


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