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Sustentabilidade Empresarial: da Introdução aos Princípios


 
Sustentabilidade Empresarial: da Introdução aos Princípios
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O atual modelo de desenvolvimento econômico compromete o meio ambiente e seguramente prejudica o próprio crescimento. Isto por que, inviabiliza um dos fatores de produção: o capital natural. Além de que, um desenvolvimento sem inclusão social e responsabilidade ambiental, também não pode ser considerado um modelo de desenvolvimento. Mas, apenas de crescimento.

 

Sustentabilidade Empresarial: Pensando nas gerações futuras

O desenvolvimento sustentável interliga as variáveis econômica, social e ambiental. Eles são os responsáveis por garantir equilíbrio econômico e qualidade de vida.  Assim, a prática da sustentabilidade empresarial garante a preocupação com os aspectos econômicos, ambientais e sociais do seu negócio, e passa a ser o único modelo viável de desenvolvimento econômico.

“O desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades das presentes gerações sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atenderem suas próprias  necessidades.” World Commission on Environment and Development (WCED), 1986 (Bruntland Report).

A partir de então, surge a necessidade das empresas adaptarem seus procedimentos ou mudarem sua maneira de agir. Desse modo, as empresas passaram a incorporar em seus valores a sustentabilidade, sob pena de serem eliminadas do mercado. A aplicação da sustentabilidade empresarial hoje, além de garantir que as empresas se estabeleçam no mercado, atendendo os requisitos legais vigentes, passa a ser o diferencial para que as mesmas se sobressaiam em um ambiente cada vez mais competitivo.

 Consumo sustentável

Os padrões de consumo da sociedade atual e o modelo produtivo insustentável são ameaças constantes para a disponibilidade dos recursos do planeta. A destruição de ecossistemas e a exploração social são realidades desta sociedade que evidencia a disparidade da entrada de recursos e o consumo. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), o Consumo Sustentável é definido como:

“O uso de bens e serviços que atendam às necessidades básicas, proporcionando uma melhor qualidade de vida, enquanto minimizam o uso dos recursos naturais e materiais tóxicos, a geração de resíduos e a emissão de poluentes durante todo ciclo de vida do produto ou do serviço, de modo que não se coloque em risco as necessidades das futuras gerações”.

O Consumo Sustentável é, portanto, identificado como um fator fundamental para se alcançar um desenvolvimento sustentável. Faz-se necessário que os padrões de consumo e produção sejam mais equitativos e que os países se adaptem aos padrões sustentáveis, tanto no aspecto social como no ambiental, com base em uma melhoria da qualidade de vida.

Ecoeficiência

A ecoeficiência é alcançada mediante o fornecimento de bens e serviços à preços competitivos, desde que satisfaçam as necessidades humanas e tragam qualidade de vida. Embora, ao mesmo tempo, deseja-se a redução progressiva do impacto ambiental e o consumo de recursos ao longo do ciclo de vida, em condições, no mínimo, equivalentes à capacidade de sustentação estimada da Terra. (Conceito elaborado pelo World Business Council for Sustainable Development – WBCSD, em 1992).

É a eficiência no uso de materiais e energia com o intuito de reduzir os custos econômicos e os impactos ambientais. Elementos da Ecoeficiência

  • Reduzir o consumo de materiais com bens e serviços.
  • Reduzir o consumo de energia com bens e serviços.
  • Reduzir a dispersão de substâncias tóxicas.
  • Intensificar a reciclagem de materiais.
  • Maximizar o uso sustentável de recursos renováveis.
  • Prolongar a durabilidade dos produtos.

 

Estratégias

A prática da sustentabilidade deve ser incorporada às estratégias das empresas. Esta prática visa desenvolver para o negócio soluções inovadoras. A proposta é aliar a redução de riscos e custos e ao mesmo tempo minimizar impactos ambientais e sociais. Assim, é possível otimizar recursos e maximizar as oportunidades.

Para se aplicar a sustentabilidade em um determinado negócio, é fundamental que a primeira medida a ser adotada seja a elaboração de um planejamento e de um estudo minucioso dos processos produtivos da própria empresa e de seus fornecedores, tendo sempre como foco os trê pilares: respeito ao meio ambiente, valorização social e lucratividade.

Ao começar a aplicar as estratégias de sustentabilidade, o empresário estará investindo em lucratividade e em redução de custos operacionais futuros, pois serão identificadas as oportunidades de redução de gastos com a manutenção e funcionamento da empresa e das rotinas diárias de operação. A empresa passará a trabalhar com o princípio da prevenção, ao contrário do modelo utilizado atualmente, onde a empresa arca com custos de tratamento e de disposição final.

As estratégias, a seguir, devem ser adotadas pelas empresas que querem aplicar a sustentabilidade ao seu negócio.

Conscientização

 A sustentabilidade dentro de uma organização deve ser entendida de maneira holística, envolvendo todos os setores da empresa, desde a alta diretoria até colaboradores, acionistas e fornecedores.

É fundamental que o primeiro passo a ser dado, para se estabelecer a sustentabilidade empresarial, seja a conscientização destas partes interessadas.  Políticas ambientais sérias e ações diretas devem ser fomentadas e aplicadas de forma contínua.

Análise Custo x Sustentabilidade

Através de ferramentas específicas para tomada de decisão é possível avaliar um projeto, estudo ou alguma inovação. Tendo como base, no entanto os parâmetros financeiros e ambientais. Cada possibilidade é avaliada de acordo com seu custo (implantação e operação). Assim como, o seu impacto ambiental, favorecendo a correta tomada de decisão. Aplica-se a avaliação de projetos ou de um determinado negócio, sob a ótica eco socioeconômica. Nesta, incorpora-se, no momento da tomada de decisões, as variáveis sociais e ambientais em contraponto às questões econômicas. .

Produção Mais Limpa

A Produção Mais Limpa (P+L) foi definida pelo PNUMA, no início da década de 1990. Esta é a aplicação contínua de uma estratégia ambiental preventiva e integrada aos processos, produtos e serviços. Busca-se dessa forma aumentar a ecoeficiência e reduzir os riscos ao homem e ao meio ambiente.

Deve-se entender que todos os resíduos que a empresa gera, ocasionam custos. Isto significa que foram comprados a preço de matéria-prima e consumidos insumos como água e energia. Uma vez gerados, continuam a consumir recursos, seja sob a forma de gastos com tratamento, nas formas de disposição final, ou sob a forma de passivo ambiental gerado. Consequentemente, acarreta-se infrações ou ainda danos à imagem e à reputação da empresa.

O objetivo da Produção mais Limpa é a redução dos impactos ambientais atuando de maneira preventiva.

Aplicações

  • Processos produtivos: inclui conservação de recursos naturais e energia. Bem como, a eliminação de matérias-primas tóxicas e redução da quantidade e da toxicidade dos resíduos e emissões antes do final dos processos;
  • Produtos: redução dos impactos negativos ao longo do ciclo de vida de um produto, desde a extração de matérias-primas até a sua disposição final;
  • Serviços: estratégia para incorporação de considerações ambientais no planejamento e entrega dos serviços.

Benefícios

  • Redução de custos pela otimização no consumo de matérias-primas, energia, água e outros insumos;
  • Aumento de eficiência do processo e competitividade;
  • Minimização dos danos ambientais e consequente redução de riscos;
  • Redução das infrações aos padrões ambientais previstos em lei;
  • Melhoria da imagem e aumento de confiabilidade;
  • Melhor relacionamento com clientes, órgãos ambientais, com a comunidade e outros públicos.

Técnicas de Produção mais limpa

  • Mudança de Tecnologia
  • Práticas de Operação
  • Troca de Matérias-Primas e Insumos
  • Mudança no Produto
  • Reutilização/Reciclagem de Resíduos

Com sua implantação, as empresas se tornam mais competitivas, transparentes, inovadoras e ambientalmente responsáveis.

Portanto, a Produção mais limpa deve estar no centro do pensamento estratégico de qualquer empresa. De um lado, ela traz, comprovadamente, benefícios econômicos. O que significa perdas, quase sempre danosas ao meio ambiente, bem como redução de custos – o que, por sua vez, influencia a posição competitiva do negócio. Por outro lado, a empresa que produz limpo tem sua imagem em harmonia com a comunidade. Contudo, essa associação poderosa é capaz de reforçar a sua competitividade, no mercado.


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