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Participação das Mulheres é cada vez mais significativa no mercado de trabalho


 

De acordo com a pesquisa “Estatísticas de gênero: indicadores sociais das mulheres no Brasil[FL1]” — uma compilação de dados realizada pelo IBGE que analisa as condições de vida das brasileiras a partir de um conjunto de indicadores proposto pelas Nações Unidas  — em 2016, 39,1% dos cargos gerenciais, tanto no poder público quanto na iniciativa privada, eram ocupados por mulheres. Embora os homens ainda sejam maioria nos cargos mais altos (60,9%), o horizonte oferecido às mulheres é promissor.

O processo de mudança nos padrões culturais tem amenizado as tradicionais barreiras à entrada das mulheres no mercado de trabalho, trazendo consigo outros reflexos nas últimas três décadas: a taxa de fecundidade tem reduzido e os níveis de escolaridade das mulheres têm se elevado. Dentre a população acima de 25 anos com curso superior completo, temos 33,9% de mulheres e 27,7% de homens.

A taxa de frequência escolar líquida ajustada no ensino médio (que mede a proporção de pessoas que frequentam a escola no nível de ensino adequado à sua faixa etária) também é maior entre as mulheres: 73,5%, contra 63,2% entre os homens. Na prática, mulheres estão muito mais focadas em melhorar seu nível de escolaridade.

Luciana Carneiro Aguera[FL2] , 40 anos, auditora de sistemas de gestão, especializada em qualidade (ISO 9001), Meio ambiente (ISO 14001), Segurança e Saúde Ocupacional (ISO 45001) e Responsabilidade Social (NBR 16001), vivencia exemplos de como a educação formal tem influenciado na ascensão das mulheres. “No mercado expandido de Qualidade, ou seja, nas diversas áreas de inspeção, mulheres são bem vistas porque são consideradas detalhistas. E como costumam apresentar notas melhores nos cursos, acabam sendo indicadas para os melhores estágios”, disse ela, que percebeu tal característica principalmente nos cursos oferecidos pelo SENAI, empresa na qual atuou por 8 anos através do Sistema S, que oferece muita mão de obra para o mercado.

O próprio SENAI apresenta dados sólidos sobre a participação das mulheres nos últimos anos: a presença feminina em seus cursos técnicos apresentou um crescimento de 65%.

De acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego, a participação feminina nas empresas industriais cresceu 14,3% em 20 anos. Os segmentos com maior crescimento de mulheres empregadas no período são mineração (65,8%), material de transporte (60,8%), alimentos e bebidas (49,3%), madeira e mobiliário (39,3%), indústria mecânica (37,3%) e papel e gráfico (24,7%). A automatização dos processos produtivos tem sido um fator de favorecimento às mulheres, pois a força física tem deixado de ser um requisito essencial para as contratações profissionais.[FL3]  No período pesquisado, a proporção de postos de trabalho ocupados por mulheres apresentou alta de 39,9% na metalurgia, de 37,3% na indústria mecânica e de 31,1% na construção civil.

Segundo dados da pesquisa “Perfil Ocupacional dos Profissionais da Engenharia no Brasil[FL4]”, realizada pelo Dieese, de 2003 a 2013 a porcentagem de mulheres engenheiras empregadas no Brasil cresceu 4%. Além disso, no mesmo período, o salário médio das engenheiras subiu de 70,3% para 79%, e foram gerados 32.468 postos de trabalho para as profissionais da engenharia, cerca de um quarto do total do número de empregos criados para a categoria no período. Em termos relativos, o aumento da ocupação feminina — de 132,2% — foi mais significativo do que a ocupação masculina, que correspondeu a 78,3%, o que explica o aumento da participação das mulheres.

Cíntia Mara, 32 anos, graduada em Ciência da Computação e desenvolvedora de software há quase 15 anos, sabe bem o que é atuar numa área “masculina”. Mesmo assim, ela conquistou seu espaço com destreza. Há nove anos, Cíntia é analista de negócios, e conta que sempre teve um bom relacionamento com os colegas de trabalho homens. Diz que embora possa trombar com pessoas difíceis capazes de discriminá-la só por ela ser mulher, procura não prestar atenção nisso. “Acho que o caminho para as mulheres nessas áreas [ masculinas] é o de buscar parcerias, tanto com outras mulheres quanto com os homens.

Essas parcerias e cumplicidade me ajudaram a chegar onde estou hoje, trabalhando em uma empresa incrível e numa posição de liderança”, conta ela. “Essa é a minha forma de facilitar as coisas para as outras mulheres que estão ao meu lado, e também para as que virão depois de mim, e também de transformar os homens em meus aliados e ajudá-los a se tornarem pessoas melhores, dando feedbacks e explicando, quando certas atitudes não são legais, mas também mostrando que ser mulher em momento nenhum interfere na minha competência”.

Diana Camargo, 36 anos, é graduada em Radialismo e conta que também vivenciou predominância feminina nas salas de aula de seu curso na universidade, mas que percebeu uma sutil diferença no momento em que chegou ao mercado de trabalho. Ativa na área de produção e operacional de TV, Diana diz que, em seu ramo, as mulheres tendem a se concentrar na área de produção, e os homens, nas áreas técnicas e operacionais. Mas ela mesma não se abala. “O que eu tento fazer para mudar essa situação é indicar outras mulheres para ocupar os cargos técnicos. Felizmente tem dado certo”.

Diana conta que chegou a trabalhar num projeto em que operadoras de áudio, cinegrafistas e assistentes eram todas mulheres — e só havia um homem na equipe! Ela frisa que não enxerga o mercado de trabalho como uma “guerra dos sexos”, mas que acha importante abrir espaço para que outras mulheres possam mostrar que um bom trabalho “independe de o indivíduo ser ele ou ela”.


 [FL1]Fonte: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101551_informativo.pdf

 [FL2]Todas as entrevistadas foram localizadas pelo Twitter e conversaram com a Equipe via mensagens particulares.

 [FL3]Fonte: https://noticias.portaldaindustria.com.br/noticias/trabalho/participacao-de-mulheres-no-mercado-de-trabalho-industrial-cresce-143-em-20-anos/

 [FL4]Fonte: https://www.fne.org.br/upload/documentos/publicacoes/PerfilFNE_net.pdf


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