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Cenários dos Recursos Energéticos – Gestão ISO 50001


 

A racionalização dos recursos energéticos é matéria que cada vez mais ganha destaque, seja entre as preocupações da sociedade, nas políticas públicas do governo ou no planejamento estratégico das empresas dos mais variados segmentos. Isso porque nos últimos tempos, passamos por uma crise energética como poucas vezes se te teve notícia no Brasil. Faltas de chuvas, escassez hídrica, aumentos discrepantes da conta de luz e criação da metodologia de bandeiras, que incluiu a dolorosa bandeira vermelha, que além de representar um aumento ainda maior no valor da conta para os consumidores, indica também (como uma das causas) o aumento da necessidade de maior uso (contratação) de energia advinda de termelétricas. 

Logo o Brasil, país cuja matriz energética é composta por mais de mil usinas hidrelétricas espalhadas pelo território nacional, que juntas produzem 65% da energia do país.

É realmente difícil de acreditar que em 2014 e 2015 chegamos ao estágio de escassez hídrica e crise energética, quando pensamos o quão privilegiado somos por termos grandes rios de planalto, que costumeiramente eram alimentados por chuvas tropicais abundantes (e chegaram a constituir uma das maiores reservas de água doce do mundo) e vemos países com muito menos recursos hídricos per capta e possibilidades energéticas inferiores em condições bem mais favoráveis.

Essas ocorrências devem servir para despertar a consciência de que estamos cuidando dos nossos recursos naturais de maneira errada.  Se compararmos as características de nossa matriz energética com a do mundo, podemos constatar que as fontes renováveis participam em média com apenas 13% da matriz energética dos países industrializados.

Recursos Energéticos: consumo e otimização

O percentual cai para 6% entre as nações em desenvolvimento, ou seja, temos uma disponibilidade desses recursos muito acima da média e estamos fazendo uma gestão sobre os mesmos bem abaixo da média. Faz-se necessário rever onde, como e quando estão sendo desperdiçados os recursos energéticos, e como é possível reduzir o seu consumo ou otimizar a forma de utilizá-lo.

Isso começa pela casa de cada cidadão, desde o banho demorado, ao uso de mangueira para “varrer” calçadas e pisos, passa pelo descaso do poder público pela falta de saneamento básico e cuidado com os rios, lagos e suas matas ciliares chegando também ao setor empresarial, principalmente às indústrias que não tenham uma cultura de preocupação com os impactos ambientais adversos para à sociedade que suas atividades representam ou não conseguem enxergar os benefícios que uma boa gestão ambiental e de eficiência energética  pode trazer para o planejamento estratégico da organização, fortalecimento de sua marca e principalmente redução de custos.

Há que se saber vislumbrar o lado bom de qualquer crise e aproveitar a experiência pela qual se pode vivenciar ao sentir na pele e no bolso os efeitos negativos do nosso descaso, para compreender que se não houver mudança de mentalidade, comportamento e prioridades continuaremos a pagar mais caro, por recursos que temos mais do que muitos, mas estamos desperdiçando como poucos.

De acordo com EPE – Empresa de Pesquisa Energética, o tipo de energia mais utilizada no Brasil são:

  • 39,4% de participação de renováveis na Matriz Energética Brasileira, mantendo-se entre as mais elevadas do mundo;
  • 60,6% da energia utilizada não é renovável.

Atividades que mais consomem energia do País

Que tipo de atividades mais usam a energia são elas: 

  • Indústrias 32,9%;
  • Transportes 32,5%;
  • Residências 9,3%;
  • Setor energético 10,3%;
  • Serviços 4,7%;
  • Agropecuária 4,2%;
  • Produção industrial, transporte de carga e mobilidade das pessoas respondem por 65%
  • Já o crescimento substancial de 85,5% no aumento na geração de eletricidade eólica.

A energia que movimenta a indústria, o transporte, o comércio e demais setores econômicos do País recebe a denominação de Consumo Final no Balanço Energético Nacional. Esta energia para chegar ao local de consumo é transportada por gasodutos, linhas de transmissão, rodovias, ferrovias, etc, processos que demandam perdas de energia.

De outro lado, a energia extraída da natureza não se encontra nas formas mais adequadas para os usos finais, necessitando, na maioria dos casos, de passar por processos de transformação (refinarias que transformam o petróleo em óleo diesel, gasolina, etc; usinas hidrelétricas que aproveitam a energia mecânica da água para produção de energia elétrica, carvoarias que transformam a lenha em carvão vegetal, etc). Estes processos também demandam perdas de energia.

No Balanço Energético Nacional, a soma do consumo final de energia, das perdas na distribuição e armazenagem e das perdas nos processos de transformação, recebe a denominação de Oferta Interna de Energia – OIE, também, denominada de matriz energética ou de demanda total de energia.

Agora, vamos contextualizar um pouco a respeito da fonte de energia primária, ou seja, toda a forma de energia disponível na natureza antes de ser convertida ou transformada. Consiste na energia contida nos combustíveis crus, a energia solar, a eólica, a geotérmica e outras formas de energia que constituem uma entrada ao sistema. Se não é utilizável diretamente, deve ser transformada numa fonte de energia secundária.

Na indústria energética distinguem-se diferentes etapas: a produção de energia primária, seu armazenamento e transporte em forma de energia secundária, e seu consumo como energia final.

Assim, por exemplo, a energia mecânica de um salto de água é transformada em eletricidade e ao chegar ao utente final (aquele que possuiu ou desfruta de alguma coisa pelo direito de uso, mais conhecido como o termo, usuário de algo), esta pode ser empregue para diferentes usos (iluminação, produção de frio e calor, etc).

É hora de dar lugar à criatividade e à racionalidade – ISO 50001

Sair do lugar comum e tomar ações para se evitar o desperdício, incentivar mais o uso de energias limpas como a eólica e solar, de modo que o investimento nas mesmas garanta um retorno à médio prazo, e um resultado mais eficiente.  Pensar em outras formas de geração de energias, repensar processos e avaliar como fazer (produzir) mais com menos (recursos energéticos), identificar melhorias e priorizar as soluções mais eficientes.

Em tempos em que as receitas podem não crescer tanto como se pretendia o equilíbrio das contas ou o próprio lucro almejado pode ser alcançado também por meio da redução dos custos.

Para isso, um sistema de gestão de energia nos moldes da ISO 50001 devidamente implementado e mantido se mostra como uma ótima ferramenta para auxiliar qualquer organização a alcançar esses objetivos.

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SGE – Uma visão muito além da conta de luz


 

Publicada em 15 de junho de 2011, A ISO 50001:2011 estabelece como Sistema de Gestão de Energia (SGE) o conjunto de elementos inter-relacionados ou interativos que visam determinar uma política energética, com objetivos energéticos e com processos e procedimentos para atingi-los.

Tais objetivos energéticos sempre deverão ter como premissa a maior redução do consumo de energia e/ou a eficiência energética. A norma possibilita uma ampla aplicação, podendo ser implementada por organizações de qualquer tamanho e segmento. Estima-se que a ISO 50001 possa influenciar diretamente mais de 60% de toda a energia em uso no mundo.

A razão quantitativa entre uma saída de desempenho, serviços, produtos ou energia e uma entrada de energia é o que se denomina eficiência energética. Exemplos: Eficiência de conversão entre energia requerida / energia usada; saída / entrada; energia teórica utilizada para operar / energia usada para operar; eficiência de motor – Kw/h médio consumido / distância percorrida; eficiência da lâmpada – W/h médio consumido / fluxo luminoso produzido lúmen (lm).

Nota-se que tanto a entrada como a saída precisam ser claramente especificadas em quantidade e qualidade e, também, mensuráveis para que se consiga efetivamente visualizar o nível de eficiência energética do objeto em avaliação.

Uma visão muito além da conta de luz

Contudo, a gestão de energia a que se refere a norma não se restringe somente à energia elétrica, mas também aos demais tipos de energia utilizadas em processos produtivos, atividades de serviço, entretenimento, lazer. Como, por exemplo, pode-se citar: combustíveis, vapor, calor e ar comprimido. Além de formas mais limpas, como a energia eólica e a solar.

Ou seja, para o propósito da eficiência energética, energia refere-se às suas mais diversas formas, que podem ser compradas, armazenadas, processadas, utilizadas em equipamentos ou em processos, ou até recuperadas. Sendo assim, realizar uma gestão de energia é muito mais do que medir, mês a mês, a conta de luz e avaliar se houve ou não uma redução de consumo. É, também, entender se houve uso de outras formas de energia, em sentido amplo, e como contribuíram para os resultados da organização, avaliando se seu uso foi significativo ou não.

Até porque, é possível existir cenários em que, mesmo com o aumento de consumo de energia, atinja-se maior eficiência energética. Por exemplo, quando há a expansão de um empreendimento / atividade, com a aquisição de novas máquinas / equipamentos e a contratação de mais funcionários, pode-se até existir um maior consumo geral de energia, mas ser constatado um menor consumo por pessoas ou por máquinas.

Portanto, tudo depende da forma como a organização gerencia seus usos significativos de energia; determina objetivos em relação à redução do consumo ou ao aumento da eficiência energética dos processos; mede e monitora os resultados periódicos e ações de adequação e/ou melhoria para que tais objetivos sejam alcançados.

O Curso Online ISO 50001 – Eficiência Energética , que já está disponível na plataforma de Educação à Distância da Verde Ghaia, aborda esse assunto e auxilia na implementação do Sistema de Gestão de Energia Empresarial.


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