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O que mudou no levantamento de Perigos e Riscos na nova ISO 45001?


 

Desde sua primeira publicação, a OHSAS 18001 se tornou referência para o sistema de gestão de saúde e segurança ocupacional. Anos depois, um novo padrão ISO foi lançado para substitui-la.

Trata-se da ISO 45001 que foi publicada recentemente. Diante dessa mudança, as empresas que já possuem a certificação terão 3 anos para migrarem para a nova versão.

Por que usar a nova Norma ISO

As empresas que estão mais habituadas com a OHSAS, sabem que a norma até então vigente, não é produzida pela ISO (International Organization for Standardization). Suas diretrizes foram estabelecidas pela BSI (British Standards Institution) que também é uma referência em sistemas de gestão.

Devido a diferença na estrutura das normas, a implementação de um sistema integrado se tornava um pouco mais complexa. Mas, agora as empresas poderão aprimorar a implementação do SGI, garantindo assim a compatibilidade entre elas.

Para aqueles que já aplicam a OHSAS 18001 no seu dia-a-dia, não terão dificuldade em se adequar à maioria dos requisitos da ISO 45001. No entanto, existem algumas mudanças para as quais estas devem se preparar, sendo uma delas o item que diz respeito ao levantamento de perigos e danos, o item 6.1.2.

Interpretação da Norma ISO 45001:2018 - Curso EAD Verde Ghaia

As diferenças entre perigo e risco

O objetivo geral do processo de “Identificação de perigos e avaliação de riscos e oportunidades” continua sendo avaliar os riscos que surgem ou podem surgir no decorrer das atividades da organização. E assim, garantir que os mesmos sejam mitigados ou até mesmo eliminados, com o intuito de deixa-los em níveis “aceitáveis” para a organização. Isto é, se não houver controles ou se os controles existentes forem inadequados, deve-se implementar controles eficazes. Tudo deve estar de acordo com a hierarquia dos mesmos.

Uma das diferenças é que o levantamento de perigos e riscos na OHSAS era realizado de forma reativa. Isto é, apenas agir quando o perigo acontece. Com a alteração da norma é introduzida a ideia de que esse levantamento e identificação dos perigos deve ser contínuo e proativo, prezando sempre, portanto, pela prevenção e continuidade das ações.

Deste modo, é possível para que todos os perigos, sejam eles físicos, psíquicos, emocionais, presentes ou futuros sejam levantados, monitorados e avaliados.

Identificando os Riscos e Perigos

Para isso, os riscos e perigos devem ser identificados de acordo com o contexto da sua organização. Bem como, os incidentes internos ou externos, incluindo emergências e atividades que causam incômodo no entorno. Podem ser, por exemplo, ruído, odor, dentre outros mais. 

Salienta-se que é importante observar  a preocupação da norma, não só com a segurança do trabalhador, mas também com a saúde do mesmo. Sendo assim, todo perigo psíquico e emocional precisa ser considerado durante esta avaliação.


Projeto Colunistas Verde Ghaia – Autofiscalização do Uso de EPI’s

Outra novidade é a preocupação com todas as partes interessadas que possuem acesso ao local de trabalho. Assim como visitantes, terceiros e fornecedores, que antes não era considerados no levantamento de perigos e riscos. Além disso, a empresa possui a responsabilidade compartilhada com todos os colaboradores que desempenham atividades para ela.

Dessa forma, o contexto geral para realizar o levantamento, tem como ideia central que o ambiente deve se adaptar ao colaborador e não o colaborador ao ambiente. E quando mencionamos ambiente, podemos entender como as estruturas, maquinários, equipamentos, posto de trabalhos, dentre outros.

Identificação de riscos e oportunidades na ISO 45001

Assim como a ISO 14001 e ISO 9001:2015, a ISO 45001:2015 traz o conceito de identificação e gestão dos riscos e oportunidades oriundos dos seus perigos e danos.

Vale ressaltar que o termo “risco” que é tratado no item 6.1.2.2 b é diferente do risco que envolve um evento perigoso, visto que ele remete ao risco para o negócio e não para o trabalhador. São riscos que podem afetar o funcionamento e saúde da organização.

Os riscos e oportunidades devem ser levantados e avaliados, considerando o contexto da organização. E, considerar também, o planejamento de ações para prevenir e mitigar os riscos. Aproveitando assim, as oportunidades e fazendo o mesmo, sempre que houver mudanças que afetem o sistema de gestão.

Portanto, os riscos e oportunidades não são identificados apenas para os riscos de SST, mas também para outros riscos relacionados à operação e manutenção do sistema de gestão de segurança e saúde ocupacional como um todo.

Avaliando Riscos e Oportunidades

Para avaliarmos tal risco ou oportunidade, devemos estabelecer critérios para quantificá-los. E para tal, podemos utilizar as metodologias da ISO 31010 para quantificação dos mesmos. Uma vez que os riscos e oportunidades forem quantificados, a organização precisa desenvolver planos para abordá-los, pois eles nortearão a organização, a fim de identificarem quais serão as ações e atuações a curto, médio e longo prazo.

De acordo com o novo padrão, a gestão de riscos e oportunidades é necessária. E eles devem ser abordados, pois refletem na capacidade da organização de atingir os resultados pretendidos. Mas também, em outras partes do sistema, como obrigações de conformidade legal e riscos à saúde e segurança ocupacional.

Ana Paula Rocha
Assessora de Sustentabilidade
Engenheira Ambiental


ISO 45001:2018 – Métodos para Consulta e Participação dos Trabalhadores


 

Publicação ISO 45001:2018.

ISO 45001 – Sistema de gestão de saúde e segurança ocupacional – foi publicada em maio como atualização da OHSAS 18001:2007.  Sua proposta é ressaltar ainda mais a participação do trabalhador.  Uma vez que este é primordial para o sucesso do SSO. E como prova disso, há vários itens da norma que incluem os trabalhadores como personagem principal.

Eles são destacados no próprio título dos requisitos. Tais como no item “4.1 – Compreensão das necessidades e expectativas dos trabalhadores e outras partes interessadas”. Isto significa, portanto, que o trabalhador é a principal parte interessada do Sistema de Gestão de SSO. Já no item “5- Liderança e participação dos trabalhadores”,  a participação dos trabalhadores é tão importante quanto o envolvimento da Alta Direção e das Lideranças neste sistema.

Verde Ghaia elaborou este conteúdo que te dará algumas dicas de formas de incentivo para participação dos trabalhadores. Além de exemplificar, como e quando os mesmos podem ser consultados. E quais informações documentadas devem ser mantidas.

Participação dos Colaboradores: ISO 45001:2018

O colaborador é um dos termos mais citados nesta norma. E devido à sua importância, possui um item da norma exclusivo para ele: “Consulta e participação dos trabalhadores”. Dentre os itens que o destacam estão:

5.1 – Liderança e comprometimento,
5.2 – Política,
6.2 – Objetivos do SSO e planejamento para alcança-los,
9.3 – Análise crítica pela Direção e o item 5.4 – Consulta e participação dos trabalhadores, que trata exclusivamente deste tema.

Demonstra-se, no entanto, que a organização terá que criar formas que incentivem os colaboradores. Pois, estes devem participar e se sentirem parte principal do Sistema de Gestão de SSO. Assim, é possível reter o máximo de informação documentada dessas ações.

Uma dica valiosa para melhor entendimento dos requisitos das normas é a leitura de seus anexos. São eles que trazem explicações que auxiliam na criação de métodos para atendimento a um determinado item. Ao longo de toda a norma ISO 45001:2018, sempre que cita “a consulta e participação dos trabalhadores”, cita também “quando houverem, do representante dos trabalhadores”. Ou seja, pode ser que a organização tenha um representante dos trabalhadores mas, este personagem não é obrigatório para cumprimento de nenhum requisito da norma.

Entretanto, a eleição de um representante dos trabalhadores já é uma forma de centralizar em um responsável as demandas referentes à Consulta e participação dos trabalhadores. Isto não quer dizer, que somente o Representante dos Trabalhadores será consultado nas tomadas de decisões referentes ao Sistema de Gestão de SSO. Ao contrário, o Representante dos Trabalhadores será responsável por consultar os colaboradores pertinentes a um determinado assunto. E assim, garantir o anonimato dos mesmos, sempre que possível. Além de assegurar total segurança da informação para que os colaboradores não se sintam ameaçados. Tais como as ameaças de demissão, ação disciplinar e/ou outras represálias.

Ações que representem os Colaboradores

Lembrando que, em hipótese alguma, as ações de represália deverão cair sobre o Representante dos Trabalhadores. De acordo com a norma, a represália simplesmente não pode existir na organização. Além disso, o Representante dos Trabalhadores deverá ter condições de realizar essas atividades dentro do seu horário de trabalho. Este não pode ser obrigado a trabalhar mais que o seu horário para realizar as ações de participação e consulta dos trabalhadores.

Por exemplo, para identificação dos riscos e oportunidades associados ao levantamento de perigos e riscos, o Representante dos Trabalhadores pode se reunir com um trabalhador de cada setor para ajudá-lo na identificação. E, assim estabelecer intervalos planejados para ouvir outros colaboradores do mesmo departamento, garantindo maior efetividade no seu levantamento. Para essas reuniões, o Representante da Direção pode elaborar um documento simples ressaltando os apontamentos de cada colaborador, sem indicar o nome dos mesmos.

Caso a organização opte por não escolher um Representante dos trabalhadores, a mesma poderá definir um. Sendo que, deve-se estar dentro das responsabilidades e autoridades para cumprimento de cada item, de modo que os próprios responsáveis executem os processos de consulta e participação dos trabalhadores. Desde que, possam sempre garantir que as ações de represália não aconteçam. Isto é, em nenhuma hipótese podem acontecer as represálias.  O ideal é que os responsáveis sejam pessoas em quem os trabalhadores confiem. E que possuem bom relacionamento em todos os níveis da organização.

Métodos para Consulta e Participação 

Outra forma de garantir que a Consulta e participação dos trabalhadores seja efetiva é ouvi-los. Assim, é possível saber se atualmente existem obstáculos e/ou barreiras que impeçam que os trabalhadores participem do Sistema de Gestão de SSO de forma plena. A remoção e minimização de barreiras e obstáculos é um dos deveres da organização. Estes são citados na Norma ISO 45001:2018, item 5.4 e pode ser comprovado seu cumprimento através da criação de planos de ação para os obstáculos e barreiras identificados. Com certeza a remoção e/ou minimização destas barreiras e obstáculos irá proporcionar um maior sucesso na Consulta e participação dos trabalhadores. Assim como, em todos os demais itens que forem necessários.

Um item em que a consulta e participação dos trabalhadores não pode mesmo ficar de fora é o mapeamento das necessidades e expectativas das partes interessadas. Como a norma já ressalta, o trabalhador é a principal parte interessada do Sistema de Gestão de SSO. Por isso, compreender suas necessidades e expectativas é essencial. I

Para isso, pode-se realizar uma conversa informal, descontraída ou, por exemplo, numa dinâmica em que os trabalhadores sejam incentivados a mencionar aquilo que, na opinião deles, “não pode faltar na empresa. Ou até mesmo citar situações que os impedem de trabalhar bem” (necessidades) ou “quais os seus sonhos e como a organização pode ajudá-los a realizar” (expectativas). Lembrando que alguém deve registrar tudo. E logo em seguida, reter informação documentada deste momento. Em todos os casos mencionados, o ideal é sempre ter um ambiente descontraído. De modo que, o colaborador tenha mais liberdade de falar aquilo que realmente sente.

Colaborador: personagem principal

Sendo assim, o ideal é que desde o trabalhador que acabou de ser contratado, até aqueles que são mais “antigos de casa”, devem perceber que a cultura da sua organização é diferente. E, que eles percebam o valor dado a eles pela organização. Independentemente de seu cargo, idade, religião, grau de formação, cor, opção sexual ou qualquer outra característica. Desse modo, o colaborador deverá ser capaz de se enxergar como personagem principal deste Sistema de Gestão. E que a construção desse SG de SSO, deverá ser construído junto.

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Bianca Rubia Braz Moreira
Consultora de Sistema de Gestão Integrado
Engenheira ambiental e sanitarista, com especialização em legislação ambiental e tratamento de resíduos e efluentes


Como associar perigos e riscos com riscos e oportunidades?


 

Gestão de Riscos e Oportunidades.

A nova ISO 45001 traz consigo o conceito de riscos e oportunidades. Da mesma forma, como as versões 2015 das ISO’s 9001 e 14001. Para a gestão da qualidade e gestão ambiental este conceito é mais claro. Isto porque não existem nas mesmas, o risco para o trabalhador. Mas, e na 45001? O que realmente difere o risco ocupacional do risco para um processo ou para o negócio?

Perigos e Riscos ou Riscos e Oportunidades?

A 45001 no requisito 6.1.2.2, fala de avaliação de riscos para a saúde e segurança do trabalho. Além disso, adentra outros riscos para o sistema de gestão de SST. Estes riscos para a saúde e segurança tratam exatamente dos riscos que já estamos habituados. Isto é, são riscos que trabalhamos desde a concepção da OHSAS 18001:2007. Entretanto, há outros riscos para o sistema de gestão como o próprio nome diz, falam do todo. Ou seja, o que pode impactar o sistema, e que pode comprometer toda a organização no que diz respeito a saúde e segurança ocupacional. E, consequentemente trazer malefícios para o negócio.

Ao realizar o levantamento de riscos para a saúde e segurança, podem ser realizadas confusões das oportunidades com os controles operacionais. Portanto, um certo cuidado deve ser mantido pois, nos dois casos estamos falando de prevenção de riscos. Porém, em um dos casos falamos de negócio e em outro falamos de pessoas, trabalhadores.

Tanto em um caso como no outro, devemos ter critérios para quantificar os riscos. E para tal, podemos utilizar a ISO 31000 como guia e as metodologias da ISO 31.010 para quantificação dos mesmos. A quantificação de riscos e oportunidades nos guiará, a fim de saber no que haverá atuação a curto, médio e longo prazo. E será importante a percepção do que está frágil para o negócio naquele momento. Já na quantificação de perigos e riscos para o trabalhador, definiremos critérios que vão desde a probabilidade e severidade de ocorrência para quantificação e definição de controles operacionais. Desse modo, visa-se eliminar ou mitigar os riscos.

É importante lembrar que um conjunto de riscos ocupacionais para o trabalhador pode resultar em um grave risco para o negócio. E por isso, deve-se dar importância das análises de dados. Elas vão nos auxiliar na verificação e apontar se não haverá mudanças nestes riscos. Além de apontar se surgirão novas oportunidades de acordo com a eficácia dos controles operacionais aplicados.

As Análises dos dados: ISO 45001

As análises de dados permitirão a realimentação do sistema de gestão como um todo. Além de contribuir para a tomada de decisões mais assertivas por parte da alta direção. É através dela que a liderança atua.  E daí, a importância de uma boa quantificação de perigos e riscos e de um bom levantamento de riscos e oportunidades.

É imprescindível, ao levantar riscos, não se esquecer dos requisitos legais aplicáveis. O atendimento a estes requisitos, pode trazer a organização diversos cenários. Dentre ele, um no qual a alta direção pode ter alterações no seu direcionamento estratégico. Visto que, há requisitos legais por exemplo, que demandam investimentos, mudanças e podem dar novo rumo aos objetivos da empresa.

A boa gestão de riscos e oportunidades dará às organizações uma visão sistêmica junto ao levantamento de perigos e riscos já existente. Desse modo, as ações poderão ser tomadas de modo preventivo. A tendência é que tenhamos recursos mais planejados. Sejam estes humanos, financeiros, tecnológicos, maior satisfação dos empregados e empregados mais saudáveis. Consequentemente, trazendo mais produtividade à organização. E por fim, menores passivos ao empregador.

É importante ressaltar que, para se atingir tais objetivos, o levantamento de perigos e riscos e riscos e oportunidades deve ser bem feito. E principalmente bem gerido. Uma boa gestão de riscos faz com que a empresa enxergue novos objetivos. E assim, traga os colaboradores para o sistema de gestão de modo assertivo e claro.

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1 Autora: Daniela Pedroza – Diretora Técnica do Grupo Verde Ghaia.

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